Os terceiros molares, popularmente conhecidos como "dentes do siso" ou "dentes do juízo", são os últimos dentes a erupcionar — geralmente entre os 17 e os 25 anos. Mas nem sempre há espaço suficiente na boca para eles se posicionarem corretamente, e é aí que os problemas começam.
Por que o siso causa tantos problemas?
A mandíbula humana foi evoluindo ao longo de milênios e ficando progressivamente menor. Com isso, em muitas pessoas, o espaço para o siso simplesmente não existe. O dente fica "preso" no osso (impactado) ou erupciona em posição errada, comprimindo os dentes vizinhos ou ficando parcialmente coberto pela gengiva — o que facilita muito o acúmulo de bactérias e o surgimento de infecções.
Situações em que a extração é indicada
A extração do siso não é sempre obrigatória. Quando o dente erupciona completamente, está em boa posição e pode ser higienizado sem dificuldade, ele pode permanecer. Mas a remoção é indicada quando:
- O dente está impactado — parcial ou totalmente dentro do osso, sem conseguir erupcionar.
- Posição incorreta — o siso cresce inclinado ou horizontal, pressionando o dente ao lado.
- Pericoronarite recorrente — infecção da gengiva ao redor do siso parcialmente erupcionado, que se repete com frequência.
- Cárie no siso ou no dente vizinho — quando a posição dificulta a higiene e favorece a cárie.
- Formação de cisto ou tumor — casos mais raros, mas que justificam extração preventiva.
- Tratamento ortodôntico — em alguns casos, o ortodontista solicita a extração para liberar espaço.
Importante: A decisão de extrair o siso deve ser tomada pelo dentista após avaliação clínica e radiográfica. Não existe indicação genérica para "extrair sempre" — cada caso é individual.
Como é o procedimento?
A extração do siso é uma cirurgia oral menor, realizada em consultório com anestesia local. Em casos de sisos impactados profundamente no osso, pode ser necessária uma pequena incisão na gengiva e, às vezes, a remoção de um pouco de osso para liberar o dente. Após a extração, a área é suturada e o coágulo sanguíneo que se forma é fundamental para a cicatrização.
O tempo de procedimento varia de 20 minutos a mais de uma hora, dependendo da complexidade. Para casos muito complexos, o dentista pode encaminhar para um cirurgião bucomaxilofacial.
O que esperar da recuperação
A recuperação após a extração do siso costuma levar de 5 a 7 dias para a fase inicial, e a cicatrização completa do osso pode levar alguns meses. Nos primeiros dias é normal ter:
- Inchaço no rosto (pior entre o 2º e 3º dia)
- Dor e desconforto gerenciados com medicação prescrita
- Dificuldade para abrir a boca (trismo)
- Sangramento discreto nas primeiras horas
- Equimose ("roxo") na face em alguns casos
Cuidados essenciais no pós-operatório
- Morda a gaze por 30 a 60 minutos após o procedimento para controlar o sangramento.
- Aplique gelo por 20 minutos, com intervalos de 20 minutos, nas primeiras 24h.
- Tome toda a medicação prescrita — analgésicos e, se prescritos, antibióticos.
- Evite fumar, usar canudo ou cuspir com força nos primeiros dias — isso pode deslocar o coágulo.
- Prefira alimentos pastosos e frios nos primeiros dias: iogurte, sorvete, vitaminas.
- Não escove o local da cirurgia no primeiro dia; nos dias seguintes, higienize com suavidade.
Sinal de alerta: Se a dor piorar a partir do 3º ou 4º dia (em vez de melhorar), pode ser sinal de "alveolite" — uma complicação tratável, mas que precisa de avaliação imediata. Ligue para o consultório.
Extrair os quatro sisos ao mesmo tempo?
Quando todos os quatro sisos precisam ser removidos, muitos pacientes perguntam se é possível fazer tudo de uma vez. Em geral, fazemos dois por vez (os do mesmo lado ou os de cima e de baixo do mesmo lado) para facilitar a mastigação durante a recuperação. A decisão é tomada caso a caso.